

Nasce um novo herói.





Depois de sobreviver um ataque inesperado em território inimigo, o genial industrial da aeronáutica Tony Stark constrói uma armadura “high tech” e promete proteger o mundo enquanto Homem de Ferro.

**Um filme excelente, que só se perde um pouco nalguns detalhes ligados à escrita do roteiro e a concepção de algumas personagens.** Não sou um admirador de filmes de super-heróis, mas como qualquer apreciador de cinema em geral já vi uma boa mão-cheia deles. Este foi o primeiro filme feito pela Marvel e financiado pela própria empresa, e traz-nos um dos seus heróis mais aclamados. O filme mostra a forma como um jovem milionário ‘playboy’ chamado Tony Stark, com fortuna herdada do pai e largamente feita à custa da produção e venda de armamento, se transforma num vigilante decidido a não permitir o uso incorrecto do armamento que vende. Não percebo muito de banda desenhada, mas acredito que o filme se tenha limitado a adaptar ao cinema uma história já escrita em papel sobre as origens da personagem, dando-lhe, talvez, um toque de actualidade. O enredo é um dos pontos mais fortes do filme, não só pela forma como introduz a personagem no contexto dos conflitos geopolíticos actuais (com a questão do Médio Oriente bem presente), mas principalmente pela forma como transforma Tony Stark numa personagem mais profunda, que vive uma catarse que lhe abre a consciência para questões que ele não tinha sensibilidade para compreender. Falando de uma forma mais simples, se no início do filme Stark era um idiota rico e mimado, ele acaba o filme com outra consciência do que deve fazer e de como as suas atitudes influem no mundo ao seu redor. Todavia, senti também que, a partir do momento em que Stark percebe o que tem de fazer, e se torna claro quem é o inimigo a derrotar, a escrita do roteiro perde rapidamente qualidade e torna-se bastante mais básica e subdesenvolvida. Com uma hábil direcção proporcionada por Jon Favreau, o elenco pauta-se por um desempenho muito bom, com todos os actores a darem-nos interpretações de grande qualidade. Claro que a atenção do público se concentra em Robert Downey Jr., actor que começou a trabalhar nos anos 80, mas que só realmente começou a despontar na viragem do milénio, com algumas produções (*Gothika*, *Boa Noite e Boa Sorte*, *Zodiac*) em que entrou antes de aceitar a proposta da Marvel. Ele é perfeito na personagem e dá-nos o trabalho da sua vida enquanto actor. Ao seu lado podemos ainda admirar Gwynneth Paltrow, num papel mais discreto, mas competente. O vilão foi assegurado por Jeff Bridges, mas o seu trabalho não é tão bem executado e o actor, por vezes, parece não saber exactamente como se comportar na personagem. O que podemos dizer sobre os valores de produção e a qualidade técnica de um filme com um orçamento milionário de 140 milhões de dólares? É um filme decidido a ser um blockbuster, que conseguiu plenamente todos os seus objectivos, arrecadando elevados lucros, agradando aos fãs e conseguindo altos elogios do público geral e da crítica especializada. E o dinheiro investido está bem à vista de todos, com uma aposta declarada em CGI de altíssima qualidade, efeitos de som e imagem maravilhosamente bem executados e cenários e figurinos realmente bons (com grande destaque – obviamente – para o fato do Iron Man e a mansão de Stark). A cinematografia é excelente, o trabalho de filmagem foi realmente muito bem executado e a edição foi detalhada dando ao filme um ritmo agradável e que não nos cansa. Por fim, uma chamada de atenção para a banda sonora excelente e de cunho épico.
Para mim, essa obra não tem defeitos — é simplesmente o melhor filme da história dos super-heróis e um marco absoluto do cinema. É inacreditável pensar que grande parte do filme foi feita no improviso, sem um roteiro totalmente fechado, o que dá uma naturalidade absurda. Robert Downey Jr. é literalmente o Tony Stark; ele não está atuando, ele ***é*** o personagem. A evolução dele ao longo da história é impecável, mas sem perder nunca o sarcasmo e a essência marcante. Ver a dinâmica e a química dele com a Pepper Potts é sensacional, trazendo um peso emocional gigante para a trama. E aquele final com o icônico "***Eu sou o Homem de Ferro***" fecha a obra de forma totalmente épica. O fato de que a Marvel tentou conseguir RDJ durante anos por conta de seu passado, faz com que o filme seja mais do que uma jornada de evolução de Tony, mas a jornada de evolução do próprio ator! Obviamente não deixarei de falar sobre Gwyneth Paltrow, que atuou tão bem como Pepper Potts que se tornou uma das maiores parceiras românticas do MCU. Jon Favreau foi tão brilhante e esolheu os atores tão bem, que foi retribuido com o grande sucesso que foi esse filme. Um filme perfeito do início ao fim.



