Pedro Quintão14 oct. 2026
Vi Colony completamente às "escuras", sabendo apenas que era um filme sul-coreano de zombies e que tinha opiniões muito positivas, a premissa fez-me lembrar imediatamente REC, mas numa escala muito maior, pois acompanhamos um grupo de sobreviventes presos num enorme complexo comercial durante o início de uma infestação de zombies. E estes não são propriamente os zombies que estamos habituados a ver, pois são criaturas que parecem estar constantemente a adaptar-se e a evoluir, o que torna cada momento com eles bastante imprevisível.
É um filme com uma intensidade absurda, no qual raramente temos momentos parados e existe ação praticamente do início ao fim. A tensão está quase sempre presente e gostei muito da forma como o filme utiliza o sangue, pois não existe propriamente gore extremo ou violência gratuita, mas o tom vermelho está constantemente presente e ajuda a criar uma atmosfera visual.
A banda sonora também merece destaque, pois é épica e dá ao filme um tom quase magistral, elevando muitos dos momentos de tensão e tornando algumas sequências ainda mais insanas.
O principal problema está nas escrita e desenvolvimento de diversas personagens humanas. Há aqui várias com potencial, mas o filme raramente lhes dá tempo suficiente para se desenvolverem. Temos dois irmãos muito próximos, uma mulher divorciada e o seu prestável ex-marido, os típicos bullies e outras personagens interessantes, mas quando começamos finalmente a perceber quem são, elas acabam por morrer. Gostava que o filme tivesse investido mais nestas relações e desenvolvimento, porque teria tornado algumas mortes muito mais impactantes.
Em contrapartida, temos uma protagonista muito boa, um vilão interessante, vários pequenos twists e um terceiro ato que achei brutal. Não estava mesmo à espera que Colony seguisse aquele rumo e seguisse com aquela resolução, fazendo com que o filme conseguisse terminar em grande. Basicamente, era o 3º ato que eu queria que Resident Evil (2026) tivesse.
Confesso que durante algumas partes, lembrou-me uma espécie de La Casa de Papel com zombies, misturada com REC, principalmente pela tensão constante e pelas situações em que tudo parece estar prestes a correr mal antes de surgir uma solução de última hora.
E foi precisamente aí que voltei a pensar na diferença entre o cinema asiático e Hollywood. Muitas vezes imaginei como seria Colony se tivesse sido produzido por um grande estúdio americano. Nesse caso, provavelmente, teríamos uma abordagem muito mais previsível, provavelmente PG-13, com momentos de glorificação às forças de segurança dos EUA e absolutamente focado em seguir fórmulas gastas.
Em suma, gostei bastante. Tornou-se rapidamente num dos meus filmes de zombies favoritos e foi, sem dúvida, uma das grandes surpresas que descobri este ano. Recomendo.