Pedro Quintão24 août 2026
Apesar de gostar dos primeiros filmes, as sequelas da saga Insidious nunca me marcaram. O primeiro filme é muito bom, Insidious: Chapter 2 (2013) é bastante agradável, o Chapter 3 (2015) é completamente esquecível, The Last Key (2018) foi fraco e The Red Door (2023), apesar de nos trazer de volta a família do primeiro filme, ficou muito aquém das expectativas.
Por isso, não tinha grandes expectativas para Insidious: Out of the Further, até porque o trailer não me tinha empolgado nada e os posters eram horríveis. E, durante boa parte do início, o filme é bem mais do mesmo. Temos jump scares atrás de jump scares, alguns até são interessantes como aquela cena das almofadas do sofá, mas a história parece praticamente inexistente.
Até que o filme começa finalmente a desenvolver a narrativa e a explorar melhor a mitologia. A protagonista, Gemma, descobre que consegue trazer para o nosso mundo entidades que estão naquele plano e, a partir daí, comecei finalmente a ficar mais interessado. Inicialmente não damos muito por pela personagem principal, mas à medida que a história avança começamos a criar empatia, até ela se demonstrar como uma personagem sólida.
O grande destaque para mim foi mesmo o novo vilão, que foi, provavelmente, uma das criaturas mais assustadoras que vi num filme de terror desde o Valak, em The Conjuring 2 (2016). O cabelo comprido, o aspeto humano e demoníaco, tal como a simplicidade do design tornam-na bastante inquietante. Só gostava que tivessem explorado ainda mais o contexto da personagem, principalmente em torno do seu passado, pois senti que há material bastante interessante para explorar.
Contudo, senti uma espécie de dualidade no filme. Por um lado, há claramente uma visão interessante por parte de Jacob Chase e dos argumentistas, mas também se sente a interferência do estúdio. É quase como se conseguíssemos perceber quais são as ideias do realizador e quais são as partes feitas para cumprir os habituais requisitos de um filme da Blumhouse.
E isso é pena, porque com mais liberdade criativa, Insidious: Out of the Further poderia facilmente ter sido um dos filmes de terror mais interessantes desta década.
Não é perfeito e o início é bastante genérico, mas quando começa finalmente a desenvolver a história e a aprofundar a sua mitologia, fiquei mesmo preso. Acabaram por ser 90 minutos bem passados e uma surpresa bastante maior do que estava à espera.
Talvez não agrade a todos, mas no meu caso foi uma boa experiência. Entrei convencido de que iria assistir a mais um filme de terror genérico e saí a pensar que, afinal, havia aqui potencial para algo muito melhor.