Pedro Quintão29 juin 2026
Toy Story 5 era um dos filmes de animação que mais queria ver nos últimos tempos. E a verdade é que já deixei de criar grandes expectativas com as animações atuais. Sinto que perderam aquela magia que tinham nos anos 90 e 2000. Não sei se fui eu que cresci ou se os próprios filmes se tornaram demasiado genéricos, acelerados e produzidos para prender a atenção de um público-alvo que passa horas no TikTok. Ainda assim, quando aparece uma exceção, ela comprova que o problema talvez não seja eu, pois Pinocchio (2022), de Guillermo del Toro, fascinou-me completamente e fez-me acreditar que ainda é possível fazer animações com alma e paixão.
Foi precisamente por isso que fui ver Toy Story 5. Apesar de a saga não ser a mais marcante da minha infância, sempre tive um carinho especial por estas personagens. E posso dizer que gostei. Não é extraordinário, mas é uma sequela competente e aborda um tema bastante atual.
O grande foco da história é a forma como as crianças crescem rodeadas pela tecnologia e vão deixando os brinquedos para segundo plano. Basicamente, estamos perante uma ideia simples, mas que dá origem a uma reflexão interessante, levando-nos a debater sobre como as crianças parecem ser obrigadas a crescer cada vez mais cedo e como a infância está lentamente a desaparecer. Gostei bastante dessa analogia e acho que é aí que o filme encontra um dos seus maiores trunfos.
Também foi bom voltar a encontrar o Woody, o Buzz e todas aquelas personagens, pois apelam sempre ao nosso lado nostálgico. No entanto, senti que o filme desperdiça muitas das personagens clássicas, que aparecem, mas quase como figurantes. Com um elenco tão grande, acaba por ser inevitável que muitas fiquem completamente esquecidas.
Quem acaba por receber mais destaque é a Jessie e confesso que gostei bastante do arco narrativo dela. Já a Bonnie continua a ser uma personagem com quem nunca fui capaz de criar grande ligação. Sinto que lhe falta o carisma que o Andy tinha nos primeiros filmes e, para ser justo, a própria saga nunca fez grande esforço para a desenvolver.
Em contrapartida, gostei bastante da nova criança introduzida neste capítulo. Tem uma simplicidade, uma inocência e um entusiasmo que me fizeram lembrar o Andy e, sobretudo, como eu próprio era em criança. Espero sinceramente que regresse num eventual Toy Story 6.
Visualmente, continua a ser um espetáculo. A Pixar mantém um nível técnico impressionante. Também gostei da banda sonora, que acompanha bem os momentos mais emocionais sem cair em exageros, mas senti falta da música original "You Got a Friend in Me".
Toy Story 5 não entra para o lote dos melhores filmes da saga, mas também está longe de ser uma sequela feita apenas para ganhar dinheiro. É uma continuação divertida e com uma mensagem atual que funciona tanto para os mais novos como para os adultos que cresceram com estas personagens. Podia ter arriscado um pouco mais e dado mais tempo às personagens secundárias, mas mesmo assim foi mais de uma hora e meia muito bem passada.