Martha Corrêa25 sept. 2026
A história acompanha Olive, uma jovem cientista que, para convencer a sua melhor amiga de que seguiu em frente e está num relacionamento feliz, acaba por beijar o primeiro homem que encontra no corredor. O problema é que esse homem é Adam Carlsen, um professor jovem, brilhante e conhecido pelo seu gênio difícil. Contra todas as expectativas, Adam aceita entrar num namoro de fachada para ajudar Olive, dando início a uma série de conflitos e sentimentos inesperados no ambiente académico.
Essa é a premissa de *A Hipótese do Amor*, livro de Ali Hazelwood que ganhou uma adaptação cinematográfica em 2026 dirigida por Claire Scanlon. Embora procure ser uma adaptação fiel no tom e nos diálogos, o filme acaba por tomar decisões criativas que não conseguem fazer jus à obra original. Como comédia romântica, a obra funciona e entretém, mas os pontos que poderiam ser o seu grande diferencial acabaram por ser deixados de fora.
O elenco principal foi uma escolha acertada e traz uma caracterização muito fiel aos personagens do livro. A cena do primeiro beijo foi traduzida com mestria, mantendo a química e o humor do momento. Contudo, algumas atitudes, principalmente do Adam, não condizem totalmente com a forma como ele age no livro. O filme optou por remover o fato de ele já ser apaixonado por Olive há anos, uma mudança que acabou por empobrecer a dinâmica da relação.
A adaptação acaba por ser bastante inferior ao material de origem, principalmente por ter deixado de lado as críticas sobre os desafios e o assédio que as mulheres enfrentam no ambiente académico e nas áreas de STEM. Além disso, cortes importantes prejudicaram a narrativa, como a cena em que Olive grava o assédio sofrido e a ausência do personagem Holden, o melhor amigo de Adam, cuja amizade e dinâmica fizeram muita falta na tela. As reflexões centrais da obra acabaram por se perder.
Para quem não leu a obra original, o filme funciona bem de forma independente: é uma comédia romântica divertida e fácil de acompanhar. O início e o meio da história chegam a agradar bastante, mas o clímax acaba por decepcionar quem esperava mais profundidade.
No final das contas, embora seja um filme leve para passar o tempo, a adaptação não consegue honrar totalmente o livro. A leitura vale muito mais a pena, pois preserva o envolvimento dos personagens e o peso das discussões que tornam a história tão especial